Porque o ódio existe? Seria tão mais fácil se todas as pessoas pudessem amar umas as outras, independente de raça, idade, sexo, religião... Apenas todas as pessoas se respeitariam. E quando uma ou outra tivesse seu momento de estresse, todas entenderiam, ou ao menos não se irritariam com isso. E quando alguém fosse precisar de ajuda, todos estariam lá com ela, ajudando, fazendo o seu melhor.
Mas nunca é assim.
Simplesmente as pessoas insistem em sentir ódio umas das outras. E se a situação financeira não está como gostaria, desconta em todo mundo. E se aquele amor não deu certo, cai em depressão sem se importar se outra pessoa precisa de alguém, se a outra pessoa está ajudando, sem se importar com absolutamente nada além de si mesmo.
Seres humanos são criaturas egoístas, desprezíveis. Mas eu sou uma, você é um, aquele é um e aquela também. Então, porque não podemos maneirar ao invés de só piorar esse egoísmo e essa falta de vontade de ser feliz? Porque, venhamos e convenhamos, tem pura falta de vontade de ser feliz aquele que faz de tudo para se dar mal.
Se apaixonar, ninguém escolhe, mas ser obcecado é escolha própria sim, e ciúme de obsessão é egoísmo puro. E ser masoquista é doença; quem não quer ser feliz? Você quer, não quer? Então porque você não tenta? Esperar a felicidade cair do céu não vai adiantar. Se comigo adiantou correr atrás, porque com você não pode acontecer também? Eu corri atrás do meu sonho. Não foi exatamente como eu quis, ainda faltam coisas; mas agora tudo me faz sorrir. Qualquer coisinha é motivo de um grande e alegre sorriso se espalhar pelo meu rosto. E não importa o que aconteça, meu humor não se altera. Eu posso parecer estar irritada, mas no fundo eu devo estar me lembrando de alguma crônica do Mario Prata e rindo comigo mesma. É claro que, pra eu aprender e aceitar que isso é viver feliz, eu demorei um pouco. Tive que lidar com muitas coisas ruins, mudar hábitos que antes podiam parecer inalteráveis e sorrir quando queria chorar. Mas agora eu simplesmente choro de rir, seja porque deixei cair algo na roupa, seja porque aquela pessoa tropeçou na rua, seja porque eu falei alguma coisa sem noção alguma, o que é costume. Mas tudo é convidativo para um sorriso. Porque percebi que de nada adianta se lamentar, se irritar, bater o pé e querer morrer se, o que queremos, lá no fundo, é só ser feliz. Inteira e realmente feliz. E para conseguir isso é só dar valor às coisas pequenas. Aquele abraço, aquele beijo, aquele sorriso, aquele gesto, aquela brincadeira, aquele gosto, aquela lembrança, aquele olhar, aquela risada, aquela frase, aquele cheiro, aquela textura, aquele amor... Todas essas pequenas coisas tão sem valor, tão comuns e esquecidas fazem nossa felicidade. Abraçar sua mãe, beijar sem se arrepender, ver o sorriso de um bebê, receber um gesto educado, brincar como criança, provar aquela comida, lembrar daquele dia, receber um olhar afetivo, ouvir um riso divertido, repetir aquela frase significativa, sentir aquele cheiro gostoso, sentir aquela textura boa, amar aquele amor...
Porque se preocupar tanto com dinheiro? Porque se preocupar tanto com aparência? Porque ao invés dessas coisas materiais fúteis, as pessoas não começam a se importar com a essência? Eu, depois que comecei com isso, vi muito mais do que um rostinho nas pessoas. Vejo a beleza ou a feiúra interior de cada ser que passa por mim. Vejo nos olhos das pessoas o valor que elas dão a si mesmas e aos outros, e vejo as preocupações nas rugas, visíveis em muita gente. É, todos tem muito pra aprender. Mas um dia, um dia, tudo isso passa.